sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Pobre do Povo Brasileiro



Foto on Pinterest Camila Akemi

É dolorido saber que foi desprezado grande parte do que eu poderia ser. Todos os bons aspectos da triunfante relação do homem com o meio, todo o apego pelo bem da natureza, toda a atividade coletiva em prol do crescimento alheio, crescimento de todos, nos foi tirada e a tiramos por insanos que nos tornamos a exemplo de toda a história.
Quantos amores, quantos sabores, quantos estilos nos foi perdido à medida que crescemos e constituímos o que seria o nosso futuro? Quantas tribos, quantos povos, quantas cores, quantas artes menosprezamos por ser diferente, pela mente de um homem apático de inteligência racional?
Foi-nos tirado o bem mais precioso, nos sendo trocado pelo que se apenas pode tocar, sendo que o toque em nada supera o pensar. Se fosse assim o que nos diferencia de homens para animais? Difícil pensar.
Arrasaram tocas, destruíram-se os cocais, palparam à força bruta a pele escura. Foi à sombra do que se parecia bem que o homem se vestiu do mais puro mal. Mataram no desejo e anseio das pedras que brilhavam, do ouro que reluzia pelo forte sol de um país tropical. Toda a riqueza que aqui nesse Brasil foi tirada na época colonial, era ilusão.
O maior bem foi desprezado, aniquilado, queimado, maltratado, desvalorizado. Tudo de bom, na cultura dos povos indígenas que aqui estavam não foi visto como precioso. Os índios aqui sabiam plantar e colher e possuíam o mais sofisticado almanaque de plantas e ervas para curar as difíceis doenças que a própria natureza podia prover. Manejavam animais, dos mais calmos aos mais valentes e ferozes. Foi deles que teríamos aprendido a cultivar e a cuidar do gado. Tudo isso sem ferir o que nos faz falta hoje, natureza.
Há Coisas boas das quais nunca saberei, todo o conhecimento desse povo foi enxugado pela terra, foi esvaído junto ao sangue que manchou todas as preciosidades que daqui saiam. Tenho que chamar de coisas aquilo que não sei. Afinal, que nome daria eu se não me deram a oportunidade de escolher? As riquezas daqui levadas são tão sujas quanto o coração do homem que sabe ser mal. Extermínio, massacre, domínio, são os valores que escolhemos carregar conosco por todos esses séculos que existimos. Esse é o nosso tesouro, essa é a nossa herança carregada a custoso preço por gerações.

Natanael Duarte

3 comentários:

Unknown disse...

Com certeza um dos melhores posts que eu já li! Fantástico, parabéns.

Unknown disse...

Ivanzinho, brigadão...Uma inspiração baseada no Livro de Darcy Ribeiro "Povo Brasileiro".

kpwizard disse...

Wow. Maravilhosamente poético. Quero escrever que nem você. :D

É uma pena que o homem, não somente o brasileiro pouco valor dá àquilo que foi-lhe dado como presente e responsabilidade. Negligenciamos, mas não só isso, maltratamos as belezas e riquezas que fariam de nós pessoas melhores, mais belas, mais inteligentes, mais saudáveis, mais pacientes.... Oh o opróbrio do povo que só pensa em avançar nesse progresso ilusório que só tende a mudar e nunca nos deixar alcançar a linha final. Triste. Uma belíssima reflexão.