Meu Pai e eu!
Foto on Pinterest Flávia Moreira
Desde muito
cedo presenciei as brigas e discursões de meus pais. De certo modo eu amadureci
tendo que conviver com essas situações. Lembro-me de uma discussão que marcou
minha vida. Meus pais estavam brigando bastante devido às contas de casa, minha
mãe não sentia o interesse dele em resolver os problemas, meu pai não sabia
como resolver. Vi em um ato de grande ira meu pai ameaçar a jogar a TV que
estava em suas mãos. Eu olhei fixamente para os dois enquanto as lagrimas
desciam dos meus olhos, pedindo parem, por favor, eu não aguento mais. Lembro-me
que eles continuaram como se não pudessem me ouvir dizer isso.
Eu e meu irmão
mais velho, passávamos horas no quarto orando pedindo pra que Deus resolvesse,
pois não sabíamos o que podíamos fazer por eles. Orávamos muito e em voz alta,
como se mais alto orássemos Deus ouviria nosso desespero. As brigas dos meus
pais me marcaram muito na infância e transmitiram características que tenho até
hoje. Eu não suporto ouvir gritos, eu detesto pessoas falando auto e assim que acontece alguma situação, eu me recolho como fazia em casa.
Eu fui descobrindo
que no meu caso não poderia ter um pai de TV. Aos poucos eu fui descobrindo
quem era meu pai. Aos poucos eu comecei a crescer e a compreender que ele
também não era um marido de TV.
Nessa
distância que crescia entre mim e ele, encurtava a relação entre eu e minha mãe
e constantemente eu me via mais próximo a ela. A admiração que possuía por
minha mãe se tornava inversamente proporcional ao que sentia pelo meu pai.
Crescendo continuei a ver meus amigos tendo pais que não tinha, tenho-os como
companhia, tendo eles como suas referências.
Meu pai é
responsável por uma coisa muita boa na vida, que não tenho como negar. Ele me incentivou
muito na leitura da bíblia já que sou cristão de infância. O meu maior problema
era o quanto eu mais conhecia sobre Deus, eu desejava um pai melhor, ao ponto
de por diversas vezes me pegar orando a Deus pedindo que ele fosse meu pai. Eu
falava mais com Deus, que não podia ver com meus olhos, do que meu pai que
estava ali na frente o tempo todo.
Como cresci
vendo e convivendo com a grosseria do pai. Tinha uma relação de medo, aprendi a
fazer outras coisas do que ver TV porque ele tomava posse dela e ninguém que
fosse filho tinha direito de questionar o que ele queria ver. Já tinha tentado
umas vezes fazer isso e tinha certeza que não era bom pra mim. Minha mãe
evitava que eu discutisse com ele, porque ele não sabia conversar. As coisas
boas que contei no post passado foram aos poucos sendo apagadas da memoria e
sufocadas por constantes decepções que via no Sr. Luis.
O fato é que
nunca conheci meus avós por parte de minha família paterna, tem primos e tios
que não sei quem são até hoje. Isso poderia ser algo comum, se não morasse na
mesma cidade que a deles a minha vida inteira.
Essa história continua em um próximo post – Lembrar-se do
passado não é fácil, não que as lembranças não venham a cabeça, mas acontece
que lembranças nem sempre são boas.
Natanael Duarte

2 comentários:
Eu consigo compreender tudo oq vc escreve, pq por mais que sejam situações diferentes, eu sei oq é querer ter a presença física e principalmente afetiva de seu pai e não ter. Mas temos um Pai que mora no Céu que preenche todo vazio dentro de nos, ele se chama Deus.
Com certeza, esse ainda não é o fim de história. Vamos acompanhar os próximos posts e ver onde isso vai dar :)
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