terça-feira, 6 de novembro de 2012

Lembranças – Parte 2


Meu Pai e eu!

Foto on Pinterest Flávia Moreira

Desde muito cedo presenciei as brigas e discursões de meus pais. De certo modo eu amadureci tendo que conviver com essas situações. Lembro-me de uma discussão que marcou minha vida. Meus pais estavam brigando bastante devido às contas de casa, minha mãe não sentia o interesse dele em resolver os problemas, meu pai não sabia como resolver. Vi em um ato de grande ira meu pai ameaçar a jogar a TV que estava em suas mãos. Eu olhei fixamente para os dois enquanto as lagrimas desciam dos meus olhos, pedindo parem, por favor, eu não aguento mais. Lembro-me que eles continuaram como se não pudessem me ouvir dizer isso.
Eu e meu irmão mais velho, passávamos horas no quarto orando pedindo pra que Deus resolvesse, pois não sabíamos o que podíamos fazer por eles. Orávamos muito e em voz alta, como se mais alto orássemos Deus ouviria nosso desespero. As brigas dos meus pais me marcaram muito na infância e transmitiram características que tenho até hoje. Eu não suporto ouvir gritos, eu detesto pessoas falando auto e assim que acontece alguma situação,  eu me recolho como fazia em casa.
Eu fui descobrindo que no meu caso não poderia ter um pai de TV. Aos poucos eu fui descobrindo quem era meu pai. Aos poucos eu comecei a crescer e a compreender que ele também não era um marido de TV.
Nessa distância que crescia entre mim e ele, encurtava a relação entre eu e minha mãe e constantemente eu me via mais próximo a ela. A admiração que possuía por minha mãe se tornava inversamente proporcional ao que sentia pelo meu pai. Crescendo continuei a ver meus amigos tendo pais que não tinha, tenho-os como companhia, tendo eles como suas referências.
Meu pai é responsável por uma coisa muita boa na vida, que não tenho como negar. Ele me incentivou muito na leitura da bíblia já que sou cristão de infância. O meu maior problema era o quanto eu mais conhecia sobre Deus, eu desejava um pai melhor, ao ponto de por diversas vezes me pegar orando a Deus pedindo que ele fosse meu pai. Eu falava mais com Deus, que não podia ver com meus olhos, do que meu pai que estava ali na frente o tempo todo.
Como cresci vendo e convivendo com a grosseria do pai. Tinha uma relação de medo, aprendi a fazer outras coisas do que ver TV porque ele tomava posse dela e ninguém que fosse filho tinha direito de questionar o que ele queria ver. Já tinha tentado umas vezes fazer isso e tinha certeza que não era bom pra mim. Minha mãe evitava que eu discutisse com ele, porque ele não sabia conversar. As coisas boas que contei no post passado foram aos poucos sendo apagadas da memoria e sufocadas por constantes decepções que via no Sr. Luis.
O fato é que nunca conheci meus avós por parte de minha família paterna, tem primos e tios que não sei quem são até hoje. Isso poderia ser algo comum, se não morasse na mesma cidade que a deles a minha vida inteira.

Essa história continua em um próximo post – Lembrar-se do passado não é fácil, não que as lembranças não venham a cabeça, mas acontece que lembranças nem sempre são boas.

Natanael Duarte

2 comentários:

Ana Paula disse...

Eu consigo compreender tudo oq vc escreve, pq por mais que sejam situações diferentes, eu sei oq é querer ter a presença física e principalmente afetiva de seu pai e não ter. Mas temos um Pai que mora no Céu que preenche todo vazio dentro de nos, ele se chama Deus.

Unknown disse...

Com certeza, esse ainda não é o fim de história. Vamos acompanhar os próximos posts e ver onde isso vai dar :)