quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Chá da vó







Quase todo mundo tem boa lembrança de vó. Eu conheço muita gente que recebeu colo, que viveu o dengo dos braços de uma mulher idosa e foi paparicado.
Eu tenho muita saudade do carinho, da conversa, do amor, da paciência. Eu tenho muita saudade daquela vó.
Sinto ainda hoje o cheiro de fazenda, o gosto do bolo, do doce e do chá. Sim o gostinho do chá de Cidreira que a Dona Otilia me fazia quase todos os dias. Eu me lembro daquele olhar manso, daquele abraço sincero. Que hoje faz falta, porque não dá pra esperar nada disso em ninguém.
Lembro-me das tardes na frente de casa e das cadeiras de balanço, das conversas com os vizinhos. Ela me contava as histórias de sua infância difícil e de suas brincadeiras com bonecas feitas de sabugo de milho. Mas de todas as boas lembranças o que mais me marcou foi o chá. Era naquele momento que todos se reuniam para conversar com a matriarca da família, naquele momento, nos netos sentíamos toda a autoridade que ela possuía: mansa, serena e delicada ela nós assistia com suas risadas de quem viveu muito para ser feliz. Sim era o chá de cidreira que ela plantava na própria casa que curava todo tipo de doença, dor ou tristeza.