Quase todo mundo tem boa lembrança de vó. Eu conheço muita gente que recebeu colo, que viveu o dengo dos braços de uma mulher idosa e foi paparicado.
Eu tenho muita saudade do carinho, da conversa, do amor,
da paciência. Eu tenho muita saudade daquela vó.
Sinto ainda hoje o cheiro de fazenda, o gosto do bolo, do doce e
do chá. Sim o gostinho do chá de Cidreira que a Dona Otilia me fazia quase
todos os dias. Eu me lembro daquele olhar manso, daquele abraço sincero. Que
hoje faz falta, porque não dá pra esperar nada disso em ninguém.
Lembro-me das tardes na frente de casa e das cadeiras
de balanço, das conversas com os vizinhos. Ela me contava as histórias de
sua infância difícil e de suas brincadeiras com bonecas feitas de
sabugo de milho. Mas de todas as boas lembranças o que mais me marcou foi o
chá. Era naquele momento que todos se reuniam para conversar com a matriarca da
família, naquele momento, nos netos sentíamos toda a autoridade que
ela possuía: mansa, serena e delicada ela nós assistia com suas
risadas de quem viveu muito para ser feliz. Sim era o chá de cidreira que ela
plantava na própria casa que curava todo tipo de doença, dor ou
tristeza.
